26 de fevereiro de 2011

Primavera antecipada

O sol já rompe pelas fissuras das portadas mal bate as 7h da manhã; já se ouvem os passarinhos alegres a chilrear logo ao acordar e a alegria que é sair da cama para começar um novo dia, rejuvenesce. Ainda não estamos em Março, muito menos no dia 21, mas já consigo afirmar que ela chegou. A Primavera chegou. As cores vivas e luminosas saem dos roupeiros, as roupas frescas, claras e esvoaçantes começam a embelezar os corpos amenos, libertos do tanto frio que passou; a alegria ganha liberdade e solta-se até nos mais carrancudos; o céu sem núvens é cenário da luz brilhante da estrela maior; os cabelos soltos, não desarranjados pela chuva, formam bonitos penteados e a beleza torna-se principal preocupação e prato do dia para todos; os rostos ganham vida, a tristeza vai embora e as portas abrem-se para a preparação de mais um ano. E a Natureza? As flores florescem, as relvas tornam-se mais verdes, os frutos aparecem e os jardins das cidades tornam-se atracção principal.
Parece que tudo se renova na Primavera. O que era velho transforma-se em novo. E esta diferença até nas próprias pessoas se nota (no sentido subjectivo, claro). As pessoas saem à rua e os tipicos passeios de família deixam de se basear em visitas turísticas aos centros comerciais locais que já todos conhecem. Os planos para o Verão começam a ser falados, tudo se começa a planear e é aí que está o ingrediente secreto. Nos planos, nos sonhos, desejos e coisas que se querem fazer. O medo do impossivel ou do quase possivel ainda continua adormecido e é disto, de sonhos, que a Primavera é feita. Não há obstáculos, barreiras ou dificuldades, tudo é simplesmente possivel! E é de possibilidades crediveis ou não que as pessoas vivem. Dos tais sonhos, desejos e objectivos. Se não tivermos um fim, de que servem os meios? E esses meios planeiam-se na Primavera. Estudos estatísticos até revelam que é nesta estação que a quantidade de suicidios diminui, vejam só! E prova provada disso são os sonhos possiveis que são planeados e que juramos a pés juntos que um dia havemos de realizar! E eu própria testemunho este facto. A minha vida "Nova-Iorquina" tem-me assaltado muitas mais vezes e até em sonhos já a experimento! A vontade de saír à rua impera sobre todas as obrigações, no meu caso, escolares, e ficar em casa torna-se sinónimo de aborrecimento assim como a Moda se torna prioridade número um.
Vantajosa na maior parte dos aspectos e desvantajosa nestes últimos relativamente às obrigações, nada tira ou algum dia vai tirar a exclusividade que a Primavera tem em relação à beleza e ao efeito nas pessoas.

24-02-2011

16 de fevereiro de 2011

Amores quase possíveis

          "Os amores quase possíveis, ao contrário dos impossiveis, não são os melhores, com mais charme e pergaminhos, mais eloquentes e requintados. Não. São pessoas como nós, que nós aceitamos com as qualidades e os defeitos com que nasceram e que nunca correm o risco de subir ao pedestal e cair dali a baixo.(...) Acontece frequentemente entre grandes amigos de sexo diferente, que pelo facto de serem tão amigos há tantos anos não se sentem à vontade para dar à pacifica e segura amizade rumos sinuosos quando não tempestuosos e imprevisiveis.(...) Os amores quase possíveis, ao contrário dos outros, não nos aparecem nos sonhos, mas na realidade do dia a dia.(...) E porque possuem o encanto de tudo o que é dificil mas está ao alcance, transformam-se na mais doce e pura das relações. Para eles não é preciso fazer um jantar com livro de receita, porque eles não se importam de comer frango assado. Convidamo-los a visitar-nos mesmo se estivermos de meias de lã e de cabelo apanhado. E mostramos-lhes as nossas fraquezas com a simplicidade do desprendimento.(...) São quase como os amigos mas possuem mais encanto, mais glamour, porque podiam fazer parte da nossa vida se quiséssemos. Como tudo aquilo que não se tem, eles também são irresistiveis. Mas em vez de nos fazerem sofrer, fazem-nos rir, porque quando partem não deixam a sala vazia, mas cheia de projectos que nos aquecem a alma, mesmo que nunca passem do papel da nossa alma.
          Os amores quase possiveis aprendem a conhecer-nos com o tempo e podem tornar-se terrivelmente próximos. O truque está em regular com mestria e saber a temperatura, para nunca deixar queimar nem comer cru. E claro, o segredo também está no tempero. Tudo com conta, peso e medida sem nunca perder a mão."

Margarida Rebelo Pinto

15 de fevereiro de 2011

já que ando numa de crónicas

                Mas afinal, para que serve a História? De que nos vale o conhecimento dos nossos antepassados sejam eles antigos ou contemporâneos? Para que queremos saber o porquê e o como do principio de tudo? Apesar desta última questão se dedicar mais à ciência em si, acontece que a História é também uma ciência, mas baseada no registo temporal dos acontecimentos desde o inicio de tudo até aos dias de hoje. É esse o seu principal fundamento – registo de acontecimentos.
                O estudo deste tipo de ciência tem o costume de ser desprezado por muita gente. As causas divergem. Uns dizem que de nada lhes serve, outros que não é importante e outros ainda que é uma questão de decorar e que com esse método nada se aprende. No entanto, por mais ínfimo que seja, existe um conjunto de pessoas não ignorantes que conhecem a importância e a necessidade de se aprender/conhecer a História. Eu, modéstia à parte, pertenço a essa pequena porção. E, apesar do meu conhecimento histórico não ser muito vasto e de ter começado à apenas quatro anos, já sei algumas coisitas e, garanto-vos, nada foi fruto do acto de “decorar” como dizem. O facto de se ter a capacidade de perceber e entender aquilo que nos contam, seja de forma escrita ou oral, ajuda-nos bastante em qualquer tipo de situação e não é necessário ter uma memória acima do normal para que isto aconteça. Para aprender História, essa capacidade é essencial.
                Sempre acreditei que para nos conhecermos a nos próprios hoje, precisamos de saber aquilo que já fomos antes; precisamos de ter a noção dos erros que cometemos para não os repetir e não voltar a falhar de novo. E esta crença fundamental aplica-se tanto na História do Mundo, do país e do povo, como na história de cada um de nós.
                Na História como disciplina isto pode aplicar-se na política, por exemplo. Já assistimos a muitos erros que podemos concertar no presente, conhecendo-os a eles, às suas causas e soluções. Mas isso, é assunto para outro dia.