16 de fevereiro de 2011

Amores quase possíveis

          "Os amores quase possíveis, ao contrário dos impossiveis, não são os melhores, com mais charme e pergaminhos, mais eloquentes e requintados. Não. São pessoas como nós, que nós aceitamos com as qualidades e os defeitos com que nasceram e que nunca correm o risco de subir ao pedestal e cair dali a baixo.(...) Acontece frequentemente entre grandes amigos de sexo diferente, que pelo facto de serem tão amigos há tantos anos não se sentem à vontade para dar à pacifica e segura amizade rumos sinuosos quando não tempestuosos e imprevisiveis.(...) Os amores quase possíveis, ao contrário dos outros, não nos aparecem nos sonhos, mas na realidade do dia a dia.(...) E porque possuem o encanto de tudo o que é dificil mas está ao alcance, transformam-se na mais doce e pura das relações. Para eles não é preciso fazer um jantar com livro de receita, porque eles não se importam de comer frango assado. Convidamo-los a visitar-nos mesmo se estivermos de meias de lã e de cabelo apanhado. E mostramos-lhes as nossas fraquezas com a simplicidade do desprendimento.(...) São quase como os amigos mas possuem mais encanto, mais glamour, porque podiam fazer parte da nossa vida se quiséssemos. Como tudo aquilo que não se tem, eles também são irresistiveis. Mas em vez de nos fazerem sofrer, fazem-nos rir, porque quando partem não deixam a sala vazia, mas cheia de projectos que nos aquecem a alma, mesmo que nunca passem do papel da nossa alma.
          Os amores quase possiveis aprendem a conhecer-nos com o tempo e podem tornar-se terrivelmente próximos. O truque está em regular com mestria e saber a temperatura, para nunca deixar queimar nem comer cru. E claro, o segredo também está no tempero. Tudo com conta, peso e medida sem nunca perder a mão."

Margarida Rebelo Pinto

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